Natureza

Casal viaja 80 quilômetros a pé para não abandonar seus dois cachorros

Em meio às dificuldades, abandonar os dois cães que tinham jamais foi uma opção para o casal Carlos e Renata, uma mulher transexual, que decidiram viajar de São José do Rio Preto à Votuporanga – 80 quilômetros de distância, à pé.

Eles contam que não pudem embarcar no ônibus intermunicipal com seus cachorros de estimação, apesar de terem pago com antecedência as passagens.

De acordo com artigo sétimo da resolução nº 1.383/06 da ABRATI – Associação Brasileira das Empresas de Transporte, o usuário que comprou a passagem não pode embarcar no ônibus com animais domésticos, tampouco silvestres.

Em contrapartida, Carlos e Renata não poderiam deixar Milady e Paçoca para trás na mudança.

O casal saiu de Rio Preto na manhã de sexta-feira, 8, munidos de um carrinho de supermercado, malas e os dois cãezinhos para uma longa, longa viagem à pé de 80 quilômetros até Votuporanga, cidade natal de Renata. “Ela ficou desempregada em Rio Preto e quis voltar para cá com o marido”, disse Alexandra, prima de Renata.

Avançando cerca de seis quilômetros por hora, eles chegaram em Mirassol, primeira parada até Votuporanga. “Eles levaram uma garrafa de água e ração para os cachorros. Conforme iam parando, pediam comida e água para eles e para os bichinhos”, relatou Alexandra.

Foram necessários seis dias de viagem até a chegada à terra natal da esposa de Carlos, com várias paradas em postos ao longo da rodovia e em distritos e municípios menores ao longo do trajeto.

Ao chegarem, procuraram um abrigo em que os cachorros foram aceitos. “Eles preferiram ficar em um barracão abandonado aqui no bairro Boa Vista para não precisar abandonar os cachorros”, disse Alexandra, que recebe os dois todos os dias para lhes oferecer almoço e banho.

“Por enquanto eles vêm na minha casa, mas precisam arrumar um emprego e uma casa. Estamos aguardando a Assistência Social e outras ajudas que nos foram prometidas, mas uma coisa a gente sabe: largar os cachorros eles não vão”.

Uma semana após chegarem, o casal recebeu a visita de uma ONG de proteção de animais que os aconselhou a procurarem a Secretaria de Desenvolvimento Social do município, além de dar amparo aos cachorros.

“O Carlos é padeiro e até o dia 27 ficaram de conformar um serviço e a Renata está aguardando ser inserida em um projeto da prefeitura, pois o mais importante agora é que eles terem um dinheiro para pagar o primeiro aluguel”, explicou Renata, prima de Alexandre, que diz torcer para que o casal possa se estabelecer na cidade sem perder a companhia de Milady e Paçoca.

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